Conceitos

Principais termos de um relógio

As partes de um relógio e as medidas que aparecem em toda descrição técnica, explicadas uma a uma para quem está começando.

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Ilustração técnica de um relógio de pulso com vistas frontal e lateral e linhas de medição
Cronari

A descrição de qualquer relógio repete os mesmos termos: diâmetro, espessura, lug to lug, vidro, resistência à água. Por trás de cada um deles há uma pergunta prática — o relógio cabe no meu pulso? o vidro vai riscar? posso entrar no mar com ele?

Como as medidas se referem a partes específicas da peça, convém nomeá-las antes de tratar dos números.

As partes de um relógio

Relógio com vidro, mostrador, pulseira, alças, caixa, coroa e fecho identificados
Partes externas de um relógio de pulso

A caixa é o corpo do relógio, a estrutura de metal que abriga o mecanismo e sustenta todo o resto. Quando se diz que um relógio tem 40 mm, é da caixa que se está falando.

O mostrador é a face que você observa para ver a hora, com os números ou as marcações. O termo em inglês, dial, também circula bastante em português.

O vidro é o disco transparente que cobre e protege o mostrador.

A coroa é a peça pequena e estriada na lateral da caixa, quase sempre do lado direito. Você a puxa e a gira para acertar a hora, e nos relógios mecânicos ela serve também para dar corda.

As alças são as quatro projeções que saem da caixa, duas na parte de cima e duas na de baixo, e é nelas que a pulseira se encaixa. Em inglês recebem o nome de lugs, termo que aparece com frequência mesmo em textos brasileiros.

A pulseira é a tira que prende o relógio ao pulso. Quando feita de elos de metal, costuma receber o nome de bracelete.

O fecho é o mecanismo que une as duas pontas da pulseira.

O fundo é a tampa traseira da caixa, aquela que fica em contato com a pele. Em alguns modelos ele traz uma janela de vidro, através da qual se pode observar o mecanismo em funcionamento.

As medidas da caixa

Vistas frontal e lateral indicando diâmetro, lug to lug, largura entre alças e espessura
As quatro medidas principais da caixa

Diâmetro

O diâmetro é a largura da caixa, de um lado ao outro, sem que a coroa seja incluída na conta. Trata-se do número que aparece no nome do modelo: quando se lê "PRX 40mm", esses 40 mm correspondem ao diâmetro.

A medida se tornou a mais citada porque é a mais fácil de comunicar. Um único valor já transmite uma noção imediata de tamanho, e essa simplicidade explica tanto a popularidade quanto o problema: o diâmetro descreve a caixa vista de cima, e não o espaço que o relógio ocupa sobre o pulso. Um modelo de 38 mm com alças longas pode avançar mais sobre o braço do que um de 40 mm com alças curtas.

Há ainda uma particularidade que costuma confundir no início. Quando a caixa não é redonda, esse número deixa de ser um diâmetro e passa a indicar apenas a largura. O Seamaster Ploprof da Omega mede 55 mm de largura por 45 mm de comprimento, ou seja, é mais largo do que comprido — exatamente o oposto do que a indicação de 55 mm sugere a quem imagina um círculo.

Lug to lug

O lug to lug é a distância entre a ponta de uma alça superior e a ponta da alça inferior do lado oposto, o que corresponde ao comprimento total do relógio.

Como as alças se projetam para fora da caixa, esse comprimento é sempre maior que o diâmetro em um relógio redondo, e é a principal referência para saber se a peça vai ultrapassar a largura do seu pulso. Talvez você já tenha reparado em algum relógio que parece sobrar no braço de quem o usa, com as pontas passando da borda.

O lug to lug não decide sozinho, no entanto. Alças retas apoiam de forma diferente de alças curvadas para baixo, e a própria curvatura do pulso influencia o resultado, de modo que dois relógios de mesmo comprimento podem assentar de maneiras distintas. Ainda assim, quem tem o pulso estreito faria bem em consultar essa medida antes das demais, e a maior parte das descrições técnicas informa as duas.

Espessura

A espessura é a altura da caixa, medida do fundo até o topo do vidro, e resolve uma questão bastante concreta: se o relógio passa ou não por baixo do punho de uma camisa de manga comprida. Um relógio grosso trava no punho e obriga a ajustar a manga a toda hora.

A diferença entre um extremo e outro é considerável. O Lovely Round da Tissot é fino o bastante para desaparecer sob a manga, ao passo que o Ultra Deep da Omega, concebido para mergulho extremo, não tem como fazê-lo. Entre os dois há mais de um centímetro de altura.

Vale notar que a espessura costuma acompanhar a resistência à água e o tipo de mecanismo, uma vez que a caixa capaz de suportar pressão precisa de paredes mais grossas.

O vidro

Três materiais dominam a proteção do mostrador, e o que os distingue é a dureza.

A safira é o mais duro dos três. Não risca em contato com chaves, moedas ou fivelas, e apenas materiais mais duros que ela conseguem marcá-la — algo raro no dia a dia. Em compensação, é quebradiça: resiste bem ao arranhão, mas pode rachar diante de um impacto direto.

O mineral é vidro comum submetido a tratamento térmico ou químico para ganhar resistência. Risca com mais facilidade que a safira, embora absorva impacto um pouco melhor.

O acrílico é um plástico transparente. Risca com quase tudo, mas os riscos podem ser removidos em casa com pasta de polimento, e o material praticamente não estilhaça. Por essa razão ele ainda aparece em relógios de trabalho pesado e em reedições de modelos antigos.

Convém corrigir uma impressão bastante difundida, segundo a qual a safira seria um sinal de luxo. Ela está presente em 88% dos relógios catalogados, incluindo modelos de entrada 1, e o vidro mineral é que se tornou exceção — ainda encontrado em peças como o Bambino da Orient.

O material da caixa

A caixa protege o mecanismo e permanece em contato com a pele o dia inteiro, de modo que o material precisa resolver três exigências simultâneas: resistir à corrosão provocada pelo suor, aceitar um bom acabamento e não encarecer demais a peça. O aço inoxidável atende às três, e é por isso que responde por dois terços das caixas catalogadas 1.

Fora dele, dois caminhos aparecem com alguma frequência. O primeiro é o aço revestido, no qual uma camada fina é aplicada sobre o metal para alterar a cor e endurecer a superfície, ainda que possa se desgastar ao longo dos anos. O segundo reúne os materiais de outra faixa de preço: o titânio, cerca de 40% mais leve que o aço e menos propenso a causar reação em peles sensíveis, e a cerâmica, muito resistente a riscos, porém sujeita a lascar diante de uma pancada.

A resistência à água

Nenhum outro termo engana tanto, porque o número se parece com uma profundidade sem o ser.

Os 30, 50 ou 100 metros resultam de um ensaio de pressão realizado em laboratório, em condições controladas, e não descrevem a profundidade até a qual se pode mergulhar. A própria Seiko recomenda, por exemplo, evitar lavar o relógio sob água corrente de torneira 2 — uma situação bem distante dos metros indicados no mostrador, o que dá a medida da diferença entre o ensaio e o uso.

A Seiko publica os níveis da seguinte forma 2:

MarcaçãoO que a Seiko indica
3 BARRespingos acidentais e chuva
5 BARNatação, barco, chuveiro
10 BARBanho e mergulho raso
200 m (Diver's)Mergulho com cilindro
1.000 m (Professional Diver's)Mergulho de saturação

O BAR é uma unidade de pressão que algumas marcas adotam no lugar dos metros, e cada BAR equivale a aproximadamente 10 metros, razão pela qual 3 BAR e 30 metros exprimem a mesma coisa.

Duas observações valem para qualquer marcação. A primeira é que a resistência à água não é permanente: a Seiko registra que ela depende do envelhecimento das vedações e pode ser comprometida por deformações decorrentes de impacto 2. A segunda é que a coroa aberta anula a proteção, e por isso, quando ela é do tipo que rosqueia, precisa estar rosqueada antes que a água encoste no relógio.

A pulseira e o fecho

Pulseira

A largura entre alças é a distância que separa as duas alças de um mesmo lado e, por consequência, a largura que a pulseira precisa ter para encaixar ali. O valor mais frequente entre os relógios catalogados é de 20 mm 1, e conhecer essa medida é o que permite trocar uma pulseira de couro por uma de tecido sem recorrer ao fabricante.

Convém observar que a compatibilidade não é automática. Modelos com bracelete integrado, nos quais a pulseira nasce como extensão da caixa, aceitam apenas peças desenhadas para eles. Pulseiras com ponta curva, feitas para acompanhar o contorno da caixa, também não migram entre modelos diferentes. A largura é condição necessária, não suficiente.

A escolha do material altera o relógio mais do que se imagina. O bracelete de metal acrescenta peso e distribui melhor a carga sobre o pulso; o couro é mais leve e esquenta menos, embora não conviva bem com a água; a borracha resolve suor e mar, e por isso se tornou padrão nos relógios de mergulho.

O efeito fica evidente quando o mesmo modelo aparece em versões diferentes. O PRX da Tissot é vendido com bracelete de metal, com pulseira de couro e com pulseira de borracha, sempre sobre a mesma caixa de 40 mm. São três relógios de caráter distinto, ainda que a peça central seja idêntica em todos.

Fecho

As duas pontas da pulseira precisam se prender de alguma maneira, e o mecanismo escolhido altera dois aspectos do uso: o quanto se pode ajustar o tamanho e o quanto de volume permanece sob o punho.

A fivela funciona como a de um cinto, com furos e uma haste. Permite ajuste fino e ocupa pouquíssimo espaço, embora deixe a ponta da pulseira à mostra.

A borboleta é um fecho de metal que se abre para os dois lados e desaparece quando fechado, conferindo à pulseira a aparência de uma peça contínua. O custo dessa solução é um bloco de metal sob o pulso, que algumas pessoas percebem ao apoiar o braço sobre a mesa.

O trifold se dobra em três partes e ocupa uma posição intermediária entre os dois anteriores, tanto em volume quanto em ajuste.

A extensão de mergulho constitui um caso à parte: trata-se de um trecho adicional que se abre para que o relógio caiba sobre a roupa de neoprene.

Entre os relógios catalogados, a borboleta responde por 41% e a fivela por 23% 1.

Por onde começar

Quatro medidas concentram as decisões mais importantes. O diâmetro estabelece a proporção da peça e define a presença que ela terá no pulso, sendo o ponto de partida natural de qualquer escolha. O lug to lug informa se o relógio realmente cabe, a espessura determina se ele passa sob a manga, e a resistência à água delimita o que se pode fazer usando a peça. Nenhuma das quatro substitui as outras, e é a leitura conjunta que descreve o relógio.

O restante do vocabulário se aprende consultando as especificações de modelos concretos. O PRX 40 mm da Tissot reúne todos os termos deste texto em um único modelo, e serve bem como primeiro exercício.

Fontes e evidências

  1. 1
    Catálogo Cronari — distribuição de specs

    Mediana de diâmetro (40 mm) e espessura (11,8 mm); safira em 88% dos relógios; aço inoxidável em 66% das caixas; bracelete 61%, couro 27%, borracha 9%; fecho borboleta 41%, fivela 23%, trifold 17%; 290 relógios marcados em 30 m e 394 em 50 m; largura de alça com mediana de 20 mm.

    Divergência registrada: População de 1.512 relógios, paginada até nextCursor=null em 10/09/2026. Cobertura por campo: vidro 100%, diâmetro 99%, espessura 99%, resistência à água 99%, material da caixa 99%, pulseira 98%, fecho 97%. O campo lugToLugMm foi deliberadamente excluído de qualquer contagem: 44 dos 111 relógios de caixa redonda que o trazem têm valor idêntico ao diâmetro, o que indica preenchimento incorreto no pipeline.

  2. 2
    Water Resistance — Seiko Watch CorporationSeiko Watch Corporation

    Níveis de resistência à água segundo a Seiko: 3 BAR para respingos acidentais e chuva; 5 BAR para natação, barco e chuveiro; 10 BAR para banho e mergulho raso; 200 m para mergulho com cilindro; 1.000 m para mergulho de saturação. A Seiko também declara que a resistência à água não é permanentemente garantida.

    Divergência registrada: A ISO 22810 cobre relógios para uso diário e natação, sem detalhar atividade por faixa. A tabela por atividade é da Seiko, e outras marcas podem publicar recomendações diferentes para a mesma marcação.